Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

6 de abril de 2026
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O Massacre da Família Hope – Riley Sager – (400 páginas).

Demorei mais de semana para concluir a leitura de O Massacre da Família Hope, do escritor norte-americano Riley Sager. Afinal, são 400 páginas. O livro, contudo, prende bem, especialmente nas últimas 100 páginas, quando fica eletrizante. É uma história de suspense gótico, nas palavras do autor.

O livro tem como pano de fundo uma tragédia ocorrida em 1929, na mansão da Família Hope, localizada no alto de um penhasco. A jovem Lenora Hope, de 17 anos, teria matado o pai e a mãe a facadas e depois enforcado a irmã. Ela foi a única sobrevivente e única pessoa que estava na casa no dia do fato, recaindo em cima dela todas as suspeitas de autoria, mas não havia provas para condená-la. Lenora declarou à polícia que estava dormindo, que não viu nada.

A trama se passa 50 anos depois do crime, quando Lenora Hope é apenas uma senhora doente, presa a uma cama, sem conseguir andar e falar, sendo cuidada por Kit McDerre. A casa ainda é a mesma, bem como dois funcionários: a governanta Baker e o cozinheiro Archie.

A cuidadora Kit, que também carrega um passado difícil, fica obstinada em descobrir como os fatos ocorreram, se realmente aquela senhorinha, tão frágil e castigada por doenças, realmente matou os pais e a irmã, no longínquo ano de 1929, como todos dizem, apesar de não existirem provas. Alguns personagens que surgem no meio da trama ajudam Kit a montar o quebra-cabeça do terrível massacre da Família Hope.

O livro está custando R$ 49,78 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.

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2 de abril de 2026
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* I – O Senado Federal aprovou recentemente um projeto de lei que inclui na Lei Antirracismo o crime de misoginia, assim considerada a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres. A matéria seguiu para a Câmara, onde deverá encontrar maior resistência.

* II – Noves fora falas circenses e ridículas de alguns políticos e influenciadores, pessoas sérias também demonstram alguma preocupação com a nova lei, pois o conceito nela presente é muito vago, impreciso, o que é temerário quando se trata de tipificação de crimes.

* I – Congressistas ligados à oposição farão de tudo para que a indicação de Jorge Messias para o STF não seja votada, pois isso permitiria a indicação de outro nome já pelo próximo presidente, que eles esperam ser o senador Flávio Bolsonaro (PL).

* II – A conta é simples. Atualmente o bolsonarismo tem dois ministros no STF, caso indiquem um nome para a cadeira vaga, pulariam para três, e durante o próximo mandato abrirão outras três: Luiz Fux (2028), Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030).

* III – Assim, o bolsonarismo passaria a ser maioria no STF, o grande objetivo do grupo, que então passaria a governar sem contrapeso. Mas, para isso, é necessário que a indicação de Jorge Messias não seja votada, e também que Flávio Bolsonaro vença as eleições, óbvio.

* Começou a valer o reajuste anual dos medicamentos. A Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), órgão vinculado à Anvisa, estipulou em 3,81% o reajuste máximo. O percentual médio de aumento deve ser de 2,47%, o menor dos últimos 20 anos.

* A missão Artemis 2 está levando quatro astronautas (três homens e uma mulher) às imediações da Lua. Não haverá alunissagem como em 1969. Desta vez a cápsula ficará a 7.500 km da superfície lunar. A missão deverá durar nove dias, se tudo der certo.

* As canetas emagrecedoras representam uma revolução, pois extrapolam o campo da saúde e medicina. Há repercussão na economia, na moda, nos restaurantes, supermercados etc. Uma revolução assim só havia ocorrido nos anos 60, com a pílula anticoncepcional.

* I – É difícil cravar o marco zero de um estilo musical. Quanto ao heavy metal, contudo, é meio que consenso que ele surgiu numa sexta-feira, 13 (tinha que ser), em fevereiro de 1970, quando o Black Sabbath lançou seu primeiro álbum, epônimo.

* II – Há quem diga que o estilo já estava presente em algumas músicas do Led Zeppelin, do Cream e até dos Beatles (Helter Skelter). O Black Sabbath, entretanto, foi o primeiro a gravar um disco totalmente nesse estilo, de cabo a rabo, por isso o reconhecimento.

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28 de março de 2026
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A Hora da Estrela – Clarice Lispector – (103p – eBook).

Lançado em 1977, meses antes da morte da autora, “A Hora da Estrela” está na tradicional lista de livros mais vendidos da semana da revista Veja. Na obra, Clarice optou por incorporar um narrador que conversa com o leitor, dizendo o que vai fazer, tipo: “Vou dizer para vocês como foi a vida de Macabéa, mas não sei se direi tudo, depende do meu espírito. Ela nasceu no interior de Alagoas…”. Essa frase não está no livro, mas é mais ou menos assim. O narrador, de nome Rodrigo S. M., passa o livro inteiro conversando com o leitor.

Bem, Macabéa, nordestina que foi morar na zona portuária do Rio de Janeiro, não viveu muito, pelos meus cálculos uns 20 anos, se muito. Era uma pobre-coitada, nunca venceu na vida, uma “nordestina amarelada”, vazia de conteúdo, sem experiência em nada, inocente, tinha uma vida horrível, de muito sofrimento e desprezo.

Aos 10 anos já não tinha pai nem mãe, foi criada por uma tia, que mais parecia uma madrasta má. No Rio de Janeiro arranjou um emprego de datilógrafa, que mantinha em razão da compaixão do chefe, pois não possuía sabedoria para tal ofício. Chegou a engrenar um namoro com Olímpico, mas ele a deixou dizendo que ela era como sopa com cabelo, não dava vontade de comer.

Após indicação de uma colega de trabalho, atual namorada de Olímpico, foi consultar uma cartomante, da qual ouviu: “Que vida horrível a sua! Que meu amigo Jesus tenha dó de você, filhinha! Mas que horror!”.

Durante a sessão, contudo, a cartomante prevê um futuro feliz para Macabéa, que ela vai encontrar um estrangeiro bonito e com ele viverá para sempre, um conto de fadas. Na saída, ao atravessar a rua, é atropelada por um carro e morre.

A única felicidade que Macabéa teve em toda a vida foi ter visto um arco-íris no cais do porto.

O livro está disponível gratuitamente no Kindle para assinantes.

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22 de março de 2026
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Nunca Minta – Freida McFadden – 278p.

Trícia e Ethan, recém-casados, vão conhecer a mansão da psiquiatra e escritora Adrienne Hale, desaparecida há três anos, supostamente assassinada pelo namorado, Luke. A intenção é comprar o imóvel e fazer dele moradia. A mansão fica num lugar ermo, afastado da cidade e de difícil acesso.

Ao se aproximar do local, Trícia nota que há uma luz acesa no andar de cima. Até então nada de anormal, deve ser a corretora, que marcou espera-los na casa. Quando eles chegam, notam que não há ninguém na mansão, e também não há sinal de celular. Ainda assim entram e vão conhecer o imóvel.

No andar de cima, nenhum cômodo com a luz acesa. É a primeira estranheza. Outras sucedem, como quadros que mudam de posição, pegadas, comida fresca na geladeira. Tudo no período em que eles ficam na casa, vez que uma forte nevasca impede-os de voltar para a cidade.

Trícia está convicta de que tem mais alguém ali, Ethan resiste, não está certo disso, sempre procurando explicações para as ocorrências.

Durante a permanência, Trícia descobre um cômodo repleto de fitas cassete. São gravações das sessões de terapia com a Drª. Adrienne. Escutá-las passa a ser o passatempo de Trícia. Com as audições vem a descoberta de várias situações envolvendo a psiquiatra, o que torna o livro muito interessante.

Toda a trama se passa nos três ou quatro dias que o casal fica na mansão.

Foi o terceiro livro da escritora Freida McFadden que li nos últimos trinta dias. O primeiro foi A Professora (aqui), e o segundo foi A Empregada (aqui). Outros três já estão na fila aguardando a vez.

O livro, o segundo mais lido na lista semanal da Veja, está custando R$ 38,87 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.

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20 de março de 2026
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* I – Tramita na Câmara Municipal de São Paulo um projeto de lei que altera o nome da Rua Peixoto Gomide para Rua Sofia Gomide, sua filha. Peixoto, que nasceu em 1849, era advogado de profissão, mas exerceu diversos cargos políticos durante sua vida.

* II – No dia 20 de janeiro de 1906 ele matou a filha, Sofia, então com 22 anos, e depois se matou. Ela se casaria na semana seguinte com Batista Cepelos, filho de uma escrava com Peixoto Gomide, condição que a filha ignorava.

* III – Em vez de esclarecer a situação, o pai decidiu resolver a questão da pior forma possível: matando a filha e tirando a própria vida na sequência. Batista Cepelos, o meio-irmão e noivo, também tiraria a própria vida anos depois, jogando-se de um penhasco. Era promotor de Justiça.

* IV – O projeto de lei pretende homenagear a principal vítima da história e não o causador de tudo, conforme seus defensores, mas há quem defenda a permanência do nome atual, por entenderem que não se tratou de um feminicídio, mas sim de uma tragédia familiar. Polêmico.

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