Verity – Colleen Hoover – 319p.
Quem já leu o best-seller A Empregada, de Freida McFadden, vê uma certa semelhança com Verity, de Colleen Hoover. De fato, as tramas trazem elementos comuns, mas no geral os argumentos são bem diferentes.
Verity Crawford é uma escritora de sucesso que fica em estado vegetativo após um acidente de carro. Para completar uma série de livros que estava escrevendo, a editora contrata uma escritora praticamente desconhecida, Lowen Ashleigh, que adota o pseudônimo Laura Chase, tudo em comum acordo com o marido de Verity, Jeremy Crawford.
Quando da contratação, Lowen está passando por dificuldades financeiras, inclusive com ordem de despejo do imóvel em que mora. Assim, Jeremy a convida para morar na residência do casal, que é bem amplo e tem quarto vago para recebê-la, além de um escritório bem equipado disponível. Convite aceito.
Ao remexer gavetas, Lowen encontra um manuscrito de Verity Crawford, onde ela trata de uma forma bem atípica a morte das filhas gêmeas do casal. Uma morreu por intoxicação alimentar e outra, alguns meses depois, por afogamento. Lowen fica chocada com o que lê, não apenas com o relato sobre as filhas, mas também em razão de várias outras revelações. Contudo, nada diz a Jeremy.
Os dias se passam e a relação entre a escritora e o marido de Verity vai ficando mais íntima. O passar dos dias também revela que há algo estranho no ar. Alguns acontecimentos levam Lowen a acreditar que Verity não está em estado vegetativo, que finge tal condição. Inclusive ela jura que viu Verity em pé, no alto da escada, num dia em que estava na cozinha com Jeremy, o qual diz que tudo não passa de “coisa da cabeça” de Lowen.
Vai se criando uma atmosfera de suspense na trama, um clima perturbador.
Mas, afinal, o que aconteceu mesmo com as filhas do casal? Como foi o acidente de Verity? O que Jeremy sabe sobre tudo isso?
Mais um livro muito bom no sentido de prender o leitor.
Em fase de adaptação para o cinema.
OBS. Livro proibido para menores de 18 anos, conforme aviso na capa.
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Down With the System – Serj Tankian – 332p.
O livro de memórias de Serj Tankian, vocalista da banda de nu metal System of a Down, é uma leitura boa até mesmo para quem nunca ouviu uma só música da banda, formada no Sul da Califórnia em 1994.
Serj nasceu no Líbano, país escolhido pelos seus ascendentes para fugir do Genocídio Armênio em 1915. Os avós paternos e maternos de Serj eram armênios e foram perseguidos pelo governo turco (otomano), mas sobreviveram ao genocídio, que matou entre 800 mil e 1,8 milhão de pessoas, dependendo da fonte.
Ao tratar do massacre, em 1943, o jurista Raphael Lemkin cunhou pela primeira vez o termo genocídio.
Aos 7 anos, Serj foi morar nos EUA, para onde seus pais se mudaram em busca de melhores condições de vida, vez que também havia conflitos sangrentos no Líbano.
Nos EUA, estudou numa escola voltada para filhos e netos de armênios, onde conheceu os demais integrantes da banda: Daron Malakian (guitarra), Shavo Odadjian (baixo) e John Dolmayan (bateria).
Tankian se mostra um fervoroso ativista político, sobretudo na luta para que a Turquia reconheça o genocídio, o que nunca aconteceu. Os EUA só reconheceram no governo de Joe Biden, em 2021.
Nestas memórias ele relata vários momentos em que lutou por este reconhecimento junto a presidentes e autoridades de diversos países, além dos vários movimentos que organizou.
Claro que ele também esmiúça a origem da banda; a difícil relação com os demais integrantes, sobretudo o guitarrista Daron, com quem tem uma relação de amor e ódio; o processo criativo; os discos; shows; dia-a-dia nas turnês mundiais; etc.
Além da carreira no SOAD, como a banda é chamada pelos fãs, Serj também lançou discos solo, fez trilhas sonoras para diversos filmes e se dedica à pintura, inclusive com obras em importantes exposições. Tudo isso é detalhado no livro.
A seguir transcrevo uma reflexão bem interessante que ele fez sobre a paternidade:
“Há tantas partes de ser pai sobre as quais as pessoas falam ou escrevem, porém a maioria disso tudo não significa nada até você se ver nesse papel. O amor, o medo e a responsabilidade são tão profundos que é quase impossível explicar a sensação para alguém que não tenha filhos, e desnecessário explicar para as pessoas que têm, então nem vou tentar”.
É um livro muito bom, recomendo, especialmente para quem gosta de música e história.
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A Paciente Silenciosa, Alex Michaelides, 348p.
A pintora Alicia Berenson é internada num hospital psiquiátrico após seu marido, o fotógrafo Gabriel Berenson, ser assassinado com cinco tiros na cabeça. Ela é apontada como autora do crime, vez que na arma há apenas suas digitais. O crime ocorreu na residência do casal, logo após ele chegar do trabalho.
Após o crime, Alicia não falou mais nada, nenhum som saiu de sua boca. No hospital psiquiátrico em que foi internada, todos os profissionais já desistiram de tentar fazê-la falar.
Tudo muda quando o psicoterapeuta Theo Faber entra na equipe. Ele ingressou no hospital destinado a fazer a paciente falar. No início foi desestimulado pelos colegas de trabalho, que não acreditavam em tal possibilidade, mas optou por perseverar, inclusive chegando a transgredir regras do local e ferindo a ética profissional.
Mas por que a fixação de Theo Faber no caso Alicia Berenson? É o que o leitor fica a todo tempo querendo saber. Não há nenhuma pista.
Na vida pessoal, Theo Faber é um homem apaixonado por sua mulher, a atriz Kathy, mas ela parece não demonstrar o mesmo sentimento pelo marido, inclusive o trai. Ele sabe, mas finge que não.
No hospital, Alicia decide mudar de atitude, despertando a atenção de todos, tanto dos demais internos, como dos profissionais. A partir daí a trama começa a ganhar contornos inesperados, caminhando para um desfecho surpreendente.
OBS. O livro está em promoção na Amazon por R$ 24,46.
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* I – O ator Hikaru Kurosaki, que interpretou o herói Jaspion, defensor do planeta contra Satan Goss, não gosta de ser lembrado pela fase artística. Hoje, trabalha como instrutor de mergulho em Okinawa, praticamente incógnito.
* II – A Geração X (1965-80) lembra bem da série, exibida no Brasil pela TV Manchete a partir de 1988. Foram 45 episódios, todos disponíveis na Amazon Prime Vídeo. Jaspion é definido como um guerreiro celestial que protege o Universo das garras do vilão Santa Goss.
* O nome The Beatles vem de “besouros” (beetles), com um erro proposital de grafia para lembrar “beat” (batida). Mal comparando, é mais ou menos como a palavra “trêbado”, também inexistente, uma junção de tri + bêbado. Sim, Lennon se inspirou na banda The Crickets (os grilos).
* Por falar em Beatles, estreou no Amazon Prime Vídeo o documentário Homem em Fuga, que mostra os caminhos que Paul McCartney trilhou após o término da banda, em 1970, com foco na criação do seu novo projeto musical, a banda Wings, que durou até 1981.
* I – Até 1999, Lairton dos Teclados era mais um seresteiro da cena maranhense, assim como Júlio Nascimento e Anjinho dos Teclados, artistas locais que faziam mais sucesso do que ele. Tudo começou a mudar quando ele gravou “Morango do Nordeste”.
* II – De férias no Maranhão, a empresária Marlene Mattos ouvia a música em todos os lugares em que ia, o que despertou sua atenção. Procurou então localizar o cantor, convidando-o para participar do Planeta Xuxa. Daí veio seu estrelato nacional.
* I – Quem gosta de música e quer continuar escutando suas playlists mesmo após partir para a terra dos pés juntos, o Spotify lançou, junto com a empresa Liquid Death, a urna funerária com caixa de som e Bluetooth.
* II – O produto, de nome Eternal Playlist Urn, está sendo vendido por aproximadamente R$ 2.500,00. O slogan é: “A vida precisa de música. A vida após a morte também”. Já vou avisando que na minha playlist não pode faltar Raul Seixas, Morrissey e System of a Down.
* I – Após um hiato de dez anos, Bruno Mars lançou ontem, 27, seu 4º álbum de estúdio: “The Romantic”. Não deu para “saciar a fome” dos fãs. São apenas nove faixas, com duração total de aproximadamente 30 minutos.
* II – Escutei o disco logo cedo, e a impressão é que eu já conhecia todas as músicas. Lembra muito a canção negra dos anos 70, de artistas como Steve Wonder, Jackson 5, Diana Ross e Lionel Ritchie. Bruno Mars não é inventivo, mas ótimo em beber no melhor da música.
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Depois de ler A Professora, de Freida McFadden, li o seu livro mais famoso, A Empregada, inclusive já transformado em filme, atualmente nos cinemas.
Na obra, a ex-presidiária Millie envia currículo para vários lugares, conseguindo emprego apenas na casa da família Winchester, do casal Nina e Andrew.
O desenrolar dos dias mostra que se trata de uma família um tanto excêntrica, com uma patroa que faz de tudo para provocar e humilhar a empregada, a qual suporta todos os abusos e situações, ante a dificuldade de conseguir emprego em razão de seu passado.
A filha do casal, Cecelia, também não dá paz à Millie, que se vê sufocada e esgotada, mas não pede demissão.
Andrew, o dono da casa, é o único que demonstra alguma empatia por Millie, sempre pedindo desculpas pelas atitudes da mulher.
Novos acontecimentos tornam a trama bastante interessante.
O parágrafo seguinte tem spoiler:
Tudo começa a mudar quando Andrew se envolve afetivamente com a empregada e, curiosamente, era isso mesmo que Nina queria. Daí em diante o leitor passa a entender por que a patroa tinha aquele comportamento. E no meio de tudo isso tem um quarto personagem onipresente, o jardineiro Enzo.
Outro bom livro de Freida McFadden.




