Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

11 de julho de 2026
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A Morte de Ivan Ilitch – Liev Tolstói – 95p

Na literatura, “A Morte de Ivan Ilitch”, de Tolstói, se enquadra como uma novela, um texto maior do que um conto e menor do que um romance, onde há poucos personagens e apenas um núcleo.

No caso, o livro cobre, sobretudo, os últimos dias de vida de Ivan Ilitch, um alto funcionário da Justiça russa, chamado de juiz em alguns trechos, noutros não. Não dá para saber exatamente sua função. O primeiro capítulo já traz o anúncio de sua morte e narra o funeral. A história dele começa a ser contada a partir do segundo capítulo.

O livro é uma forma sutil de criticar a hipocrisia da sociedade russa naqueles tempos (A obra foi publicada em 1886); as relações afetivas e profissionais se dão por conveniência. Ninguém é exatamente feliz, mas tenta demonstrar que é. Mais atual impossível. Talvez por isso tenha sido resgatada pelos jovens leitores da atualidade, voltando a integrar as listas de livros mais vendidos.

Ivan Ilitcht sofre dores lancinantes no estômago, que aumentam com o passar do tempo. Os médicos não conseguem descobrir exatamente que mal lhe acomete, mas suspeitam que é algo no rim ou no ceco. A novela também é uma crítica a esses profissionais, que veem Ivan apenas como um “caso clínico”, não um ser humano que se esvai em dores.

Mesmo tendo um bom cargo, uma família aparentemente sólida, morando bem, Ivan Ilitch teve uma vida de desamparo e solidão: “(…) finalmente ele esvaziaria o lugar, libertando os vivos do desconforto produzido por sua presença e livrando a si mesmo de seus sofrimentos”.

Esse foi Ivan Ilitch.

Curiosidade: descobri neste livro que Jean é a forma afrancesada do russo Ivan.

O livro está custando R$ 24,82 na Amazon (aqui), o preço de duas cervejas longneck, e não prejudica o fígado etc.

Agradeço a amiga Mariana Castro, do Clube de Leitura CT 786, que gentilmente me cedeu sua edição.

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4 de julho de 2026
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No Rastro da Mentira – Amy Tintera – 349p

O livro No Rastro da Mentira, da jornalista e escritora americana Amy Tintera, é um thriller psicológico que gira em torno do assassinato de Savannah Harper (Savvy) após uma festa de casamento. Tudo leva a crer que a autora do crime é Lucy Chase, sua melhor amiga. No entanto, não há provas contundentes para a Justiça incriminá-la. A própria Lucy não sabe se matou ou não a amiga, pois não se lembra do que aconteceu a partir de certo momento daquela noite.

Para tentar elucidar o fato, um podcaster famoso, Ben Owens, decide ir à pequena cidade onde o crime ocorreu a fim de entrevistar moradores e os envolvidos na história, isso cinco anos após o crime. Lucy, que tinha deixado a cidade, mas está lá para participar do aniversário da avó, concorda em ser uma das entrevistadas, até porque ela própria tem interesse em saber se é culpada ou inocente. É a primeira vez que fala publicamente do ocorrido.

A volta de Lucy à fictícia Plumpton, no Texas, onde os fatos se desenrolam, mexe com a cidade. Ela é vítima de olhares e comentários maldosos. Afinal, matou a querida Savvy. Algumas pessoas, entretanto, acreditam na sua inocência.

À medida que Ben se aprofunda no caso, vê-se que os depoimentos de algumas testemunhas são contraditórios e omitem fatos. Além disso, Lucy começa a retomar a memória. A lista de personagens principais inclui os pais e a avó de Lucy, o podcaster Ben, o ex-marido Matt, os amigos de infância Emmett, Nina, Don, Kathleen, entre outros; e a família da vítima.

Ao final, Lucy retoma totalmente a memória e se recorda exatamente o que aconteceu, livrando-se do fardo da dúvida.

Uma peculiaridade da história é que todos os personagens são infiéis ou libertinos, incluindo a avó de Lucy, Beverly Moore.

Foi a terceira obra escolhida pelo Clube do Livro CT 786.

O livro está custando R$ 49,94 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.

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3 de julho de 2026
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Coisa de dez dias, num treino em trio no CT 786, estávamos eu, Cíntia e Alexsandra na fase run, (sim, somos aquela gente que paga para correr na rua), quando a primeira notou um óculos bem acomodado num galho de árvore. O estranho foi ela ter observado isso; mas, bem, observou.

A esquisitice então foi nossa pauta entre uma respiração ofegante e outra. Como danado aquele óculos foi parar ali? Eu “maldei” logo, sugerindo que alguém pode ter parado ali para uns amassos, vez que é uma rua pouca movimentada e nem tanto iluminada, guardou o acessório ali por alguns instantes, mas esqueceu de pegá-lo de volta. “Uma possibilidade”, disse Alê. Outras hipóteses foram levantadas, como ele ter caído de algum lugar, mas logo descartada, não tinha como.

O fato é que ninguém sabe a razão de ter uma árvore localizada na Rua Naninha Rocha, Nova Betânia, calçada lateral do condomínio Porto Astúrias, usando óculos.

Alguém teria uma explicação?

P.S. Hoje cedo, no run, passei por lá e vi que o acessório continua no mesmo lugar.

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28 de junho de 2026
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* O governo dos EUA usou a canção “Bye”, de Ariana Grande, num vídeo em que policiais aparecem prendendo imigrantes. A cantora não gostou nadinha: “Não usem minha música em relação a esse lixo bárbaro, desumano e hediondo”, comentou, ela mesma, na postagem.

* O lugar a que Roberto Carlos se refere no verso: “Quando eu estou aqui, vivendo este momento lindo” é o Canecão, tradicional cervejaria carioca, onde Roberto Carlos e vários outros artistas da música brasileira se apresentaram várias vezes entre 1967 e 2010, período de funcionamento.

* Em 1978, Elton John, Rod Stewart e Peter Frampton vieram juntos curtir o carnaval no Brasil. O trio de ingleses fazia muito sucesso na época. Em recente entrevista ao Globo, Frampton foi perguntado sobre os dias no Brasil. “Não tenho muitas lembranças, eu bebia muito naquela época”, disse.

* Por falar nisso, Peter Frampton acabou de lançar um disco de inéditas, após um hiato de 16 anos: “Carry the Light”, com 10 faixas. Seu disco de maior sucesso é o “Frampton Comes Alive!”, de 1976, que traz os clássicos “Show Me The Way” e “Baby, I Love You Way”.

* Numa noite de Natal em 1914, durante a Grande Guerra, tropas inglesas e alemãs se permitiram uma trégua e cearam juntas. Paul McCartney, aficionado por esse fato, dedicou todo um disco a ele: “Pipes of Peace”, de 1983.

* Nesses dias foi lançado o EP “Nordestina Highway”, com sete músicas dos Engenheiros do Hawaii e de Humberto Gessinger vertidas para o forró. Vários artistas participaram do projeto. Xand Avião canta “Refrão de Bolero”, Santanna abraça “Terra de Gigantes”. A crítica tem elogiado.

* I – Dois dias após os ataques às Torres Gêmeas, o vocalista do System of a Down, Serj Tankian, publicou um artigo no site da banda dizendo que os EUA promovem ações que despertam a ira de muita gente, e que os ataques representaram a reação de algum grupo insatisfeito. A fala, até óbvia, não foi bem aceita pelos americanos.

* II – Ainda não existiam redes sociais, mas mesmo assim o vocalista, de origem armênia, assim como os demais da banda, foi “cancelado” antes até de existir o termo. Teve que dar várias entrevistas para esclarecer que apenas disse o óbvio, que era um defensor dos EUA, país onde mora desde os 7 anos.

* III – O texto despertou muita atenção porque naquela época o System of a Down era a banda mais tocada no país, com a música “Chop Suey!” no topo das paradas. No auge do sucesso, um texto mal interpretado e fora de timing – vamos combinar – quase encerrava a carreira da banda.

* I – A cantora Nara Leão abandonou a bossa nova por causa do compositor e produtor Ronaldo Bôscoli (sempre ele). Os dois namoravam quando ele viajou para a Argentina com a também cantora Maysa, a fim de gravarem o disco “O Barquinho”. Lá, engataram um romance, que deveria ser secreto e momentâneo.

* II – Ocorre que Maysa não guardou o segredo, e foi além, disse numa entrevista que Bôscoli era seu noivo. Nara Leão soube e nunca mais quis saber dele, nem da bossa nova. “Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí, levando um violão debaixo do braço…”.

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18 de junho de 2026
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Ecos da Floresta – Liz Moore – 414p

Elogiado pelo escritor Stephen King, “Ecos da Floresta”, da americana Liz Moore, é um thriller de suspense. A história se passa em 1975, num acampamento de verão, onde a adolescente Bárbara some sem deixar vestígios. Ela é filha dos donos do acampamento, o qual fica numa propriedade pertencente à família Van Laar há quatro gerações. Uma região ampla, nas montanhas, com várias edificações.

O sumiço de Bárbara, claro, move todas as autoridades da região. Vale aqui destacar que Bárbara era considerada uma adolescente problemática, que se vestia fora dos padrões e desafiava a autoridade dos pais. Inclusive, foi para o acampamento para ficar longe deles. A relação não era boa.

Bárbara é a segunda integrante da família a sumir. O primeiro foi seu irmão mais velho, Bear, que também desapareceu sem deixar rastros alguns anos antes. Alguns personagens vivenciaram os dois fatos.

O livro tem muitos personagens, mas não há muitos núcleos. A história se desenvolve basicamente em torno dos dois desaparecimentos, até mesmo por isso os capítulos são em saltos temporais. Ora estamos em 1961, ano do sumiço de Bear; ora estamos em 1975, ano do desaparecimento de Bárbara; e quando em 1975, ora estamos em julho, dois meses antes do fato, ora estamos no dia do ocorrido, e seguintes, em setembro.

Não há reviravoltas na trama, tudo é muito linear. Há dois crimes e vários personagens, então tentamos desvendar quem está por trás dos fatos, e se há ligação entre eles.

Ao final, tudo é esclarecido. O desenrolar não me causou muito impacto. Eu meio que já desconfiava de como seria o desfecho.

Foi eleito o melhor thriller policial de 2024 pelo New York Times; o ex-presidente Barack Obama também já foi visto com um exemplar dele.

Uma curiosidade: no Wikipédia ele é apresentado com outro nome, “Deus da Floresta”, tradução literal do nome original, “The Gods of the Woods”.

A Netflix comprou os direitos para transformar o livro em série. O processo de produção já foi iniciado.

O livro está de R$ 46,45 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.

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