Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

28 de junho de 2026
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* O governo dos EUA usou a canção “Bye”, de Ariana Grande, num vídeo em que policiais aparecem prendendo imigrantes. A cantora não gostou nadinha: “Não usem minha música em relação a esse lixo bárbaro, desumano e hediondo”, comentou, ela mesma, na postagem.

* O lugar a que Roberto Carlos se refere no verso: “Quando eu estou aqui, vivendo este momento lindo” é o Canecão, tradicional cervejaria carioca, onde Roberto Carlos e vários outros artistas da música brasileira se apresentaram várias vezes entre 1967 e 2010, período de funcionamento.

* Em 1978, Elton John, Rod Stewart e Peter Frampton vieram juntos curtir o carnaval no Brasil. O trio de ingleses fazia muito sucesso na época. Em recente entrevista ao Globo, Frampton foi perguntado sobre os dias no Brasil. “Não tenho muitas lembranças, eu bebia muito naquela época”, disse.

* Por falar nisso, Peter Frampton acabou de lançar um disco de inéditas, após um hiato de 16 anos: “Carry the Light”, com 10 faixas. Seu disco de maior sucesso é o “Frampton Comes Alive!”, de 1976, que traz os clássicos “Show Me The Way” e “Baby, I Love You Way”.

* Numa noite de Natal em 1914, durante a Grande Guerra, tropas inglesas e alemãs se permitiram uma trégua e cearam juntas. Paul McCartney, aficionado por esse fato, dedicou todo um disco a ele: “Pipes of Peace”, de 1983.

* Nesses dias foi lançado o EP “Nordestina Highway”, com sete músicas dos Engenheiros do Hawaii e de Humberto Gessinger vertidas para o forró. Vários artistas participaram do projeto. Xand Avião canta “Refrão de Bolero”, Santanna abraça “Terra de Gigantes”. A crítica tem elogiado.

* I – Dois dias após os ataques às Torres Gêmeas, o vocalista do System of a Down, Serj Tankian, publicou um artigo no site da banda dizendo que os EUA promovem ações que despertam a ira de muita gente, e que os ataques representaram a reação de algum grupo insatisfeito. A fala, até óbvia, não foi bem aceita pelos americanos.

* II – Ainda não existiam redes sociais, mas mesmo assim o vocalista, de origem armênia, assim como os demais da banda, foi “cancelado” antes até de existir o termo. Teve que dar várias entrevistas para esclarecer que apenas disse o óbvio, que era um defensor dos EUA, país onde mora desde os 7 anos.

* III – O texto despertou muita atenção porque naquela época o System of a Down era a banda mais tocada no país, com a música “Chop Suey!” no topo das paradas. No auge do sucesso, um texto mal interpretado e fora de timing – vamos combinar – quase encerrava a carreira da banda.

* I – A cantora Nara Leão abandonou a bossa nova por causa do compositor e produtor Ronaldo Bôscoli (sempre ele). Os dois namoravam quando ele viajou para a Argentina com a também cantora Maysa, a fim de gravarem o disco “O Barquinho”. Lá, engataram um romance, que deveria ser secreto e momentâneo.

* II – Ocorre que Maysa não guardou o segredo, e foi além, disse numa entrevista que Bôscoli era seu noivo. Nara Leão soube e nunca mais quis saber dele, nem da bossa nova. “Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí, levando um violão debaixo do braço…”.

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18 de junho de 2026
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Ecos da Floresta – Liz Moore – 414p

Elogiado pelo escritor Stephen King, “Ecos da Floresta”, da americana Liz Moore, é um thriller de suspense. A história se passa em 1975, num acampamento de verão, onde a adolescente Bárbara some sem deixar vestígios. Ela é filha dos donos do acampamento, o qual fica numa propriedade pertencente à família Van Laar há quatro gerações. Uma região ampla, nas montanhas, com várias edificações.

O sumiço de Bárbara, claro, move todas as autoridades da região. Vale aqui destacar que Bárbara era considerada uma adolescente problemática, que se vestia fora dos padrões e desafiava a autoridade dos pais. Inclusive, foi para o acampamento para ficar longe deles. A relação não era boa.

Bárbara é a segunda integrante da família a sumir. O primeiro foi seu irmão mais velho, Bear, que também desapareceu sem deixar rastros alguns anos antes. Alguns personagens vivenciaram os dois fatos.

O livro tem muitos personagens, mas não há muitos núcleos. A história se desenvolve basicamente em torno dos dois desaparecimentos, até mesmo por isso os capítulos são em saltos temporais. Ora estamos em 1961, ano do sumiço de Bear; ora estamos em 1975, ano do desaparecimento de Bárbara; e quando em 1975, ora estamos em julho, dois meses antes do fato, ora estamos no dia do ocorrido, e seguintes, em setembro.

Não há reviravoltas na trama, tudo é muito linear. Há dois crimes e vários personagens, então tentamos desvendar quem está por trás dos fatos, e se há ligação entre eles.

Ao final, tudo é esclarecido. O desenrolar não me causou muito impacto. Eu meio que já desconfiava de como seria o desfecho.

Foi eleito o melhor thriller policial de 2024 pelo New York Times; o ex-presidente Barack Obama também já foi visto com um exemplar dele.

Uma curiosidade: no Wikipédia ele é apresentado com outro nome, “Deus da Floresta”, tradução literal do nome original, “The Gods of the Woods”.

A Netflix comprou os direitos para transformar o livro em série. O processo de produção já foi iniciado.

O livro está de R$ 46,45 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.

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18 de junho de 2026
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Tudo É Rio – Carla Madeira – 206p

Lançado em 2014, e atualmente na 31ª edição, o livro Tudo É Rio, da mineira Carla Madeira, passou a figurar nas listas de mais vendidos a partir de 2021, quando foi relançado pela editora Record. Inclusive, ganhou o prêmio de melhor livro lusófono de ficção em 2024, pela livraria portuguesa Bertrand.

A história se passa num pequeno município, onde mora o casal Venâncio e Dalva, e também a cobiçada rapariga Lucy, sonho de consumo de todo homem da cidade, menos o de Venâncio, que se deita com todas as raparigas do puteiro, menos com Lucy. Sabe-se lá por que.

Tal comportamento deixa Lucy obcecada, e se deitar com Venâncio passa a ser questão de honra para ela.

Em casa, o casamento de Venâncio e Dalva não existe. Num acesso de fúria,  ele arremessou o filho de casal, um bebê, na parede. Desde a perda do filho Dalva nunca mais dirigiu a palavra a ele, passando a dormir noutro quarto, mas também nunca deixou a casa.

A obsessão de Lucy avança e alcança Dalva, que diariamente passa em frente ao cabaré, onde é xingada gratuitamente pela rapariga, mas nunca reage, o que deixa Lucy ainda mais irada. Para onde Dalva vai diariamente? Esse é um dos mistérios do livro, revelado apenas nas últimas páginas.

É um livro muito agradável de ler, com uma linguagem leve, uma história que prende, e repleto de boas frases, tipo: “Um dia feliz tem mais poder que a tristeza de uma vida inteira”.

Outra: “A maior maldade de todos os tempos, a mais cruel, foi inventar que o sofrimento está para o bem assim como o prazer está para o mal”.

O livro está de R$ 43,47 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.

Agradeço a amiga Mariana Castro, do Clube de Leitura CT 786, que gentilmente me cedeu sua edição.

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7 de junho de 2026
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* Ontem, durante o Pingo da Mei Dia, meu Instagram estava repleto de pessoas nas praias, serras, sítios, no estrangeiro, corridas de rua e até mesmo em casa. Ao que parece, o “cult” foi não ir pro evento e mostrar a alternativa escolhida.

* I – A taxação de produtos brasileiros pelos EUA afeta mais a economia deles do que a nossa. O consumidor americano terá mais dificuldades para adquirir os produtos taxados, ou porque ficarão mais caros ou por causa de sua escassez no mercado.

* II – E tal insatisfação, obviamente, reflete no humor dos eleitores. Por essas e outras a reprovação a Trump sobe a cada pesquisa. Quanto ao Brasil, basta inverter o farol das exportações, dos EUA para a China e União Europeia (EU).

* I – A jornalista Thaís Oyama, do Globo, vem se notabilizando por artigos contra a aplicação bastante larga do conceito de misoginia. No último, ela critica o perdão judicial concedido a Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, 4, assassinado pelo padrasto.

* II – Na decisão que concedeu o perdão, a juíza Elizabeth Louro justificou que Monique foi vítima de um massacre social e misógino. É aí que Thaís discorda: “Monique falhou miseravelmente como mãe. E o patriarcado não tem nada a ver com isso”, escreveu.

* No Brasil, o canal para denunciar maus-tratos a crianças e adolescentes é o Disque 100. Só em 2024 foram 289 mil denúncias, o que dá uma média de 33 por hora. No recorte de crianças até seis anos, 80% das agressões ocorrem dentro de casa.

* O resultado do primeiro Enem dos Professores, divulgado recentemente, pode ser considerado uma tragédia. 1/3 dos professores avaliados não domina o que o governo federal estabeleceu como conhecimento básico para poder ensinar. Em Matemática, a metade.

* “Hoje em dia todo mundo quer viver de acordo com sua própria cabeça, ninguém conta nada para as mães”, trecho do livro Anna Kariênina, de Lev Tolstói, escrito entre 1873 e 1877. Pois é, não é de agora não.

* No próximo dia 23 de julho estreará na HBO Max o terceiro spin-off (série derivada de outra) de “The Big Bang Theory”: “Stuart não Consegue Salvar o Universo”. Antes, já tivemos Jovem Sheldon, com sete temporadas; e George e Mandy: Seu Primeiro Casamento, duas temporadas.

* A cantora Teresa Cristina, que despontou como intérprete de samba e choro nos anos 90, prepara-se agora para lançar seu primeiro trabalho autoral. O disco, intitulado “Tudo que eu Tenho”, chega às plataformas no dia 24 de julho. Um single já saiu: “Quando a Onda Passar”.

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31 de maio de 2026
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“As Pequenas Chances” – Natália Timerman – (204 páginas).

Neste livro, a escritora e médica psiquiatra Natália Timerman revive os últimos dias de vida do seu pai, o médico Artur Timerman.

Tudo começa quando ela se encontra com Felipe num aeroporto, médico que cuidou do seu pai nas últimas semanas de vida. A partir daquele encontro casual ela passa a rememorar tudo o que o pai e a família viveram desde que ele descobriu a doença (câncer) até a despedida final.

Na segunda parte, ela relata a saga de sua irmã, uma engenheira naval, para voltar da África, onde estava embarcada, para o Brasil, a fim de ainda encontrar o pai com vida, após a constatação que ele estava vivendo seus últimos dias. Essa parte é a mais desinteressante da obra.

Por fim, Timerman fala das tradições judaicas, assunto que ela já tinha falado nas partes anteriores, mas aqui ela se aprofunda mais, inclusive faz uma viagem à Ucrânia para aprender mais sobre seus ascendentes. É a parte mais triste da obra, pois ela a todo tempo lamenta o fato de não ter se ligado muito no Judaísmo, na ancestralidade e nas tradições familiares quando o pai era vivo.

Numa das passagens mais fortes, ela conta que na sua casa havia vários quadros na parede de pessoas não identificadas, mas nunca perguntou ao pai quem eram. E agora, sem o pai, não há mais como saber.

Um belo livro sobre finitude.

Está custando R$ 58,47 na Amazon (aqui), o preço de quatro cervejas, e não prejudica o fígado etc.

Ele também pode ser lido gratuitamente no aplicativo MEC Livros.

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