Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

4 de agosto de 2026
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A Última Casa da Rua Needless – Catriona Ward – 350p.

Estamos diante de um livro confuso, onde quanto mais o leitor avança nas páginas, menos ele entende a história. São poucos personagens, sendo quatro nucleares e alguns outros orbitais. Em torno de dez no total, mas não dá para afirmar ao certo. Não se sabe bem o que é real e o que é imaginário.

O que dá para extrair é que Ted Bannerman (ou Ted, ou Teddy, ou Theodore), um sujeito introspectivo, antissocial até, mora na última casa da Rua Needless, onde divide o espaço com a filha Lauren e a gata Olívia, cujos pontos de vista rendem vários capítulos. Dos três, a felina é a que parece mais equilibrada.

Outra personagem é Didi, que busca saber o que aconteceu com Lulu, sua irmã que desapareceu há 11 anos, caso em que Ted foi um dos investigados, mas não indiciado, pois tinha um álibi.

Didi se muda para a casa ao lado da de Ted, pois tem convicção de que ele está por trás do desaparecimento da irmã. Os maiores momentos de tensão do livro são quando Didi tenta se aproximar do vizinho e quando invade sua casa na sua ausência. Isso rende alguns capítulos.

É difícil avançar mais sem dar spoilers, mas o desfecho da história requer muita submissão à autora, ao que ela quis apenas deixar no imaginário, no campo da psicanálise, da psicologia, onde pessoas nem sempre são o que parecem ser e criam mundos irreais.

Como não sou um expert em psykhé, apenas um leitor comum, não gostei muito da obra, mas talvez você goste. Muita gente renomada elogiou, inclusive Stephan King.

 Foi a quarta obra escolhida pelo Clube do Livro CT 786.

O livro está custando R$ 45,75 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.

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29 de julho de 2026
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Segredos e Lendas do Rock – Sérgio Pereira Couto – 160p.

A obra, lançada em 2008, é repleta de curiosidades do mundo do rock, sobretudo as lendas em torno de seus ícones. É interessante para quem quer iniciar no assunto, e também para quem tem memória de peixe, como eu, que sempre preciso ficar revisitando o que já li e aprendi.

A maioria das histórias não passa de lendas, o nome já diz, mas são ótimas para contar em rodas de conversas. Outras, contudo, são verdadeiras; e outras, não se sabe, ficando no ar a dúvida. O autor não faz conclusões, limitando-se a contar o que há tempos se ouve falar.

Ele discorre, por exemplo, sobre a maldição dos 27, citando os artistas que morreram com essa idade. Teria algo místico nisso?

Fala ainda que uma teoria defende que Paul McCartney morreu em 1966; que o clássico “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin, tem uma mensagem satânica quando se toca o disco ao contrário; que Keith Richards, dos Rolling Stones, fez transfusão de sangue com um cavalo; além das manjadas “Elvis não morreu” e “Ozzy comeu um morcego”.

Essas e muitas outras histórias estão lá, em capítulos curtos.

O livro está fora de catálogo, podendo ser encontrados apenas em sebos ou em sites como o Estante Virtual.

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11 de julho de 2026
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A Morte de Ivan Ilitch – Liev Tolstói – 95p

Na literatura, “A Morte de Ivan Ilitch”, de Tolstói, se enquadra como uma novela, um texto maior do que um conto e menor do que um romance, onde há poucos personagens e apenas um núcleo.

No caso, o livro cobre, sobretudo, os últimos dias de vida de Ivan Ilitch, um alto funcionário da Justiça russa, chamado de juiz em alguns trechos, noutros não. Não dá para saber exatamente sua função. O primeiro capítulo já traz o anúncio de sua morte e narra o funeral. A história dele começa a ser contada a partir do segundo capítulo.

O livro é uma forma sutil de criticar a hipocrisia da sociedade russa naqueles tempos (A obra foi publicada em 1886); as relações afetivas e profissionais se dão por conveniência. Ninguém é exatamente feliz, mas tenta demonstrar que é. Mais atual impossível. Talvez por isso tenha sido resgatada pelos jovens leitores da atualidade, voltando a integrar as listas de livros mais vendidos.

Ivan Ilitcht sofre dores lancinantes no estômago, que aumentam com o passar do tempo. Os médicos não conseguem descobrir exatamente que mal lhe acomete, mas suspeitam que é algo no rim ou no ceco. A novela também é uma crítica a esses profissionais, que veem Ivan apenas como um “caso clínico”, não um ser humano que se esvai em dores.

Mesmo tendo um bom cargo, uma família aparentemente sólida, morando bem, Ivan Ilitch teve uma vida de desamparo e solidão: “(…) finalmente ele esvaziaria o lugar, libertando os vivos do desconforto produzido por sua presença e livrando a si mesmo de seus sofrimentos”.

Esse foi Ivan Ilitch.

Curiosidade: descobri neste livro que Jean é a forma afrancesada do russo Ivan.

O livro está custando R$ 24,82 na Amazon (aqui), o preço de duas cervejas longneck, e não prejudica o fígado etc.

Agradeço a amiga Mariana Castro, do Clube de Leitura CT 786, que gentilmente me cedeu sua edição.

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4 de julho de 2026
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No Rastro da Mentira – Amy Tintera – 349p

O livro No Rastro da Mentira, da jornalista e escritora americana Amy Tintera, é um thriller psicológico que gira em torno do assassinato de Savannah Harper (Savvy) após uma festa de casamento. Tudo leva a crer que a autora do crime é Lucy Chase, sua melhor amiga. No entanto, não há provas contundentes para a Justiça incriminá-la. A própria Lucy não sabe se matou ou não a amiga, pois não se lembra do que aconteceu a partir de certo momento daquela noite.

Para tentar elucidar o fato, um podcaster famoso, Ben Owens, decide ir à pequena cidade onde o crime ocorreu a fim de entrevistar moradores e os envolvidos na história, isso cinco anos após o crime. Lucy, que tinha deixado a cidade, mas está lá para participar do aniversário da avó, concorda em ser uma das entrevistadas, até porque ela própria tem interesse em saber se é culpada ou inocente. É a primeira vez que fala publicamente do ocorrido.

A volta de Lucy à fictícia Plumpton, no Texas, onde os fatos se desenrolam, mexe com a cidade. Ela é vítima de olhares e comentários maldosos. Afinal, matou a querida Savvy. Algumas pessoas, entretanto, acreditam na sua inocência.

À medida que Ben se aprofunda no caso, vê-se que os depoimentos de algumas testemunhas são contraditórios e omitem fatos. Além disso, Lucy começa a retomar a memória. A lista de personagens principais inclui os pais e a avó de Lucy, o podcaster Ben, o ex-marido Matt, os amigos de infância Emmett, Nina, Don, Kathleen, entre outros; e a família da vítima.

Ao final, Lucy retoma totalmente a memória e se recorda exatamente o que aconteceu, livrando-se do fardo da dúvida.

Uma peculiaridade da história é que todos os personagens são infiéis ou libertinos, incluindo a avó de Lucy, Beverly Moore.

Foi a terceira obra escolhida pelo Clube do Livro CT 786.

O livro está custando R$ 49,94 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.

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3 de julho de 2026
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Coisa de dez dias, num treino em trio no CT 786, estávamos eu, Cíntia e Alexsandra na fase run, (sim, somos aquela gente que paga para correr na rua), quando a primeira notou um óculos bem acomodado num galho de árvore. O estranho foi ela ter observado isso; mas, bem, observou.

A esquisitice então foi nossa pauta entre uma respiração ofegante e outra. Como danado aquele óculos foi parar ali? Eu “maldei” logo, sugerindo que alguém pode ter parado ali para uns amassos, vez que é uma rua pouca movimentada e nem tanto iluminada, guardou o acessório ali por alguns instantes, mas esqueceu de pegá-lo de volta. “Uma possibilidade”, disse Alê. Outras hipóteses foram levantadas, como ele ter caído de algum lugar, mas logo descartada, não tinha como.

O fato é que ninguém sabe a razão de ter uma árvore localizada na Rua Naninha Rocha, Nova Betânia, calçada lateral do condomínio Porto Astúrias, usando óculos.

Alguém teria uma explicação?

P.S. Hoje cedo, no run, passei por lá e vi que o acessório continua no mesmo lugar.

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